No momento em
que mandioca se mistura com o dobro das metas que não existem e a crise
político-econômica desnorteia a cadeia produtiva e de serviços, desafios ainda
maiores surgem. Com os mercados globais tumultuados ao longo das últimas
semanas, e principalmente com um Brasil desorientado e rebaixado, líderes e
executivos pensam em como responder a uma crise econômica e política dessa
magnitude, ou da magnitude que imaginamos que ela tenha. Como prever os
mercados? Como determinar novas metas? Baseados em que os profissionais
incumbidos desta difícil missão estão tomando suas decisões? Como liderar e
gerenciar quando a demanda cai de repente como aconteceu no país neste ano? E
como essas escolhas afetam a competitividade de uma empresa depois que a recessão
termina? Como pagar as contas? Muitas são as questões, complexos os fatos que
nos desafiam neste momento. A solução mais provável para os questionamentos
acima, mais uma vez, parece ser a velha conhecida EDUCAÇÃO, que tanto se delega neste país. Frase com sujeito
oculto, sem dona, sem responsabilidade, sem orçamento e sem foco. Para ter uma
ideia do tamanho do problema, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE) divulgou em maio um ranking mundial de qualidade de educação.
Entre os 76 países avaliados, o Brasil ocupa a 60ª posição. No ranking de
Competitividade e Retorno Social, segundo a mesma pesquisa, estamos em
penúltimo lugar dentre todos os países pesquisados. Uma vergonha. Entre mandiocas sapiens, metas, travessias, cortes,
rebaixamento e aumento de impostos, desnorteados, buscamos delinear o futuro,
sem conhecimento, sem educação.
Em uma crise como esta que
estamos “atravessando” (usando as palavras do Poder Executivo), parece haver
apenas duas certezas: a primeira é que um período de crise como este dura mais
tempo que um período virtuoso, mesmo que os remédios aplicados sejam muito
amargos. Quebrou-se a confiança, e isso não se recupera por decreto. Os impactos negativos, de tardias e erradas
decisões do passado próximo, tendem a se prolongar e prejudicar uma geração
inteira. Ilude-se quem acha que teremos apenas alguns anos até voltarmos a
novos ciclos positivos. Os impactos na qualidade da educação, pesquisa e
tecnologia serão irrecuperáveis no curto prazo. A geração Y, que até agora era
muito criativa, terá de ser ainda mais para poder manter seus altos custos de
vida, desempregada. Hábitos caros foram adquiridos nas últimas décadas e isso
terá um custo ainda maior para poder ser mantido. O brasileiro que aumentou
seus rendimentos nos últimos anos tirou nota baixa ao investir em produtos e
deixar de lado uma educação de qualidade. Foi, na maioria dos casos, aluno, mas
não foi um estudante de verdade, capaz de transformar oportunidade em novas
formas de criação de riqueza. Gastou sua poupança em bens não duráveis e jogou
fora uma oportunidade de ouro de romper o estágio purgatório. O brasileiro
precisa, definitivamente, aprender que estudar é coisa séria, não é “zoeira”.
Precisa aprender que no mundo contemporâneo não há mais lugar para os
despreparados intelectualmente. Educação não é brincadeira, ainda mais quando
se busca produtividade e competitividade de fato.
A segunda certeza é que todos
ficam ansiosos e por vezes até exaltados na busca de dados que possam nortear o
futuro. Mesmo com muitos especialistas ou aplicativos tentando fazer o papel de
“Mestre dos Magos”, ao indicar uma possível saída, a tarefa exige conhecimento
de causa para se indicar os caminhos menos tortuosos entre o presente e o
futuro. Sou da opinião que há que se orientar utilizando-se das ferramentas
corretas. Saber exatamente o que o
futuro reservará é tarefa tanto quanto desafiadora e requer o uso das
ferramentas adequadas para que não se torne um enorme contratempo para uma
organização. Mais uma vez, a saída está no conhecimento e na sua aplicação para
a solução dos nossos problemas. Mais uma vez, a vida seleciona e separa os que
foram alunos dos que foram estudantes de verdade. Os que detêm o conhecimento
das ferramentas adequadas podem ser os grandes vitoriosos num momento como
este. E os que foram alunos, viram dependentes dos que foram estudantes, ou
seja, estão ainda mais vulneráveis.
As ferramentas que podem ser
utilizadas para se delinear o futuro passam longe das bolas de cristal ou da
consulta a cartomantes, búzios ou tarô. Também não significam somente
“Experiência”, “Feeling” ou suposições.
Estes são também muito importantes, mas não entregam a solução completa. O uso
da ciência é mandatório. Como exemplo, muitas são as ferramentas estatísticas
que podem ser utilizadas para a construção de linhas de tendências, elaboração
de cenários e simulações de comportamento de variáveis. Modelos matemáticos são
essenciais para dar base a qualquer informação de campo que venha a surgir, mas
é preciso saber usá-los. O controle de determinadas variáveis inerentes aos
processos de decisão para o cumprimento de metas é muito importante, ainda mais
em épocas de visível fragilidade. Os métodos estatísticos servem justamente
para ordenar o que está em aparente descontrole e para explicar, mesmo que
parcialmente, os comportamentos dos números. Controlar certas variáveis em um
momento como o que estamos vivendo significa ter um controle também sobre as
metas e sobre o futuro. O uso do conhecimento, somado à experiência, dá a
solução completa.
O momento é de cautela. Pé
atrás. Como diria o sociólogo e político brasileiro Guerreiro Ramos, sempre
citado pelo saudoso Belmiro Valverde Castor em suas aulas e palestras, “esprema
os indicadores até que eles confessem”. Todo tipo de informação deve ser
trabalhada para que possa se transformar em conhecimento e, por consequência,
em diferencial competitivo. Informações de campo, de clientes, dos operadores
financeiros, da mídia, dos fornecedores, da administração pública, dos grandes
e dos pequenos, dos mais ou menos favorecidos, devem ser levadas em conta.
Aplicar a educação recebida para transformar dados em conhecimento e riqueza,
talvez seja o maior desafio do povo brasileiro daqui para frente. E talvez
tenha sido a maior perda de oportunidade que se teve nas últimas décadas, de
certa estabilidade econômica e política, oportunidade nunca vista antes na
história deste país. Agora fica tudo mais difícil com um novo corte de 3,8
bilhões de reais no orçamento da educação. Boa sorte a todos nós.

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